JAQUELINE VARGAS

ROTEIRISTA - ESCRITORA - PSICANALISTA

Uma das mais relevantes criadoras de narrativas de dramaturgia brasileira contemporânea, com mais de duas décadas de carreira.

‘DIZEM QUE NA VIDA É FUNDAMENTAL TER UM FILHO, PLANTAR UMA
ÁRVORE E ESCREVER UM LIVRO. SERÁ? DE REPENTE CUIDAR DE UM
JARDIM OU ATÉ DE UM CANTEIRO JÁ ESTÁ VALENDO, SER UM BOM
EXEMPLO PARA ALGUÉM PODE MUDAR A VIDA DESSA PESSOA E ELA
NEM PRECISA SER FILHO, E NÓS ESCREVEMOS HISTÓRIAS TODOS OS
DIAS. É QUE NÃO DÁ TEMPO DE COLOCAR NO PAPEL’.

Jaqueline Vargas é uma das mais relevantes criadoras de narrativas da dramaturgia brasileira contemporânea. Roteirista há mais de duas décadas, construiu uma trajetória sólida e multifacetada transitando entre televisão, séries, cinema, literatura e áudio, sempre com um olhar atento à subjetividade humana, às relações afetivas e aos conflitos psíquicos do nosso tempo.

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CINEMA

Um território de encontro entre narrativa, afeto e reflexão.

No cinema, Jaqueline Vargas aprofunda sua investigação sobre identidade, espiritualidade, vínculos familiares e o universo feminino, utilizando a linguagem audiovisual como um espaço de escuta e elaboração emocional.

Seus roteiros e direções transitam entre o íntimo e o simbólico, construindo narrativas que recusam simplificações e se dedicam a explorar a complexidade da experiência humana.

Seu cinema é marcado por personagens atravessados por conflitos internos, dilemas éticos e afetivos, silêncios significativos e relações que revelam camadas profundas da subjetividade. Há, em sua escrita cinematográfica, um interesse constante pelo que não é imediatamente visível: as tensões invisíveis, os afetos não nomeados, os movimentos internos que moldam escolhas e destinos.

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Meus livros:

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Aquela que não é mãe

Aquela que não é mãe

Qual mulher nunca fantasiou a maternidade? A desejou? Hesitou? Somos todas mães? Devemos ser? Aquela que não é mãe traça, por meio das reminiscências de Jaqueline Vargas, a busca por este lugar. Uma busca que nos é apresentada desde a infância e que cresce com toda mulher, em maior ou menor escala. Mostra o percurso da autora pela fantasia, o desejo, o adiamento, a intervenção da medicina, o limite físico, a cobrança dos outros, a cobrança de si mesma e a chegada à não maternidade. O livro, dividido em três partes, fala dessa trajetória através da mulher que é filha, da mulher que quer ser mãe e daquela que não é. Com um tom questionador, Jaqueline brinca com a estrutura do poema, ao mesmo tempo que convida o leitor a refletir com ela sobre o poder do nome mãe e de sua função. 

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  • Aquela que não é mãe

    Aquela que não é mãe

    Qual mulher nunca fantasiou a maternidade? A desejou? Hesitou? Somos todas mães? Devemos ser? Aquela que não é mãe traça, por meio das reminiscências de Jaqueline Vargas, a busca por este lugar. Uma busca que nos é apresentada desde a infância e que cresce com toda mulher, em maior ou menor escala. Mostra o percurso da autora pela fantasia, o desejo, o adiamento, a intervenção da medicina, o limite físico, a cobrança dos outros, a cobrança de si mesma e a chegada à não maternidade. O livro, dividido em três partes, fala dessa trajetória através da mulher que é filha, da mulher que quer ser mãe e daquela que não é. Com um tom questionador, Jaqueline brinca com a estrutura do poema, ao mesmo tempo que convida o leitor a refletir com ela sobre o poder do nome mãe e de sua função. 

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  • A Arte de cancelar a si mesmo

    A Arte de cancelar a si mesmo

    Majô, uma YouTuber famosa desaparece. Muitos boatos e possibilidades surgem: sequestro, pais abusivos, golpe de marketing, fuga desesperada. Ninguém sabe o que aconteceu e todos querem saber, inclusive Kauane, uma nerd cheia de fobias que mora diante de Majô. Num domingo chuvoso a jovem descobre que a famosa está escondida na edícula da sua casa e seus planos são: apagar tudo o que fez desde o post zero. Ela quer se cancelar. Kauane quer entender porquê. A partir daí, uma amizade inesperada surge entre elas.

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Psicanálise e Criação

Em paralelo à sua trajetória artística, Jaqueline Vargas formou-se em Psicanálise, com foco na abordagem clínica da adolescência e na filosofia da psicanálise.

Esse percurso atravessa profundamente sua escrita, conferindo densidade psicológica e emocional às narrativas.

Ao terminar a terceira temporada de “Sessão de Terapia”, Jaqueline começou uma jornada pessoal dentro da psicanálise. Começou a estudar e segue nesse caminho até hoje, praticamente 15 anos depois.

Fez uma formação em psicanálise, especializou-se na abordagem psicanalítica na adolescência e em filosofia da psicanálise. Hoje, está em formação em psicossomática psicanalítica.

Esse percurso atravessou profundamente sua escrita e passou a conferir uma densidade psíquica e emocional ainda maior às suas narrativas.

Além disso, Jaqueline vem construindo o que chama de escrita autoanalítica. Se existe a fala que cura, porque a palavra nos revela até para nós mesmos, essa palavra também pode ser escrita.

Geralmente, não escrevemos sobre o que sabemos. É justamente o oposto. Assim como na vida, nós nos repetimos no papel ou na tela. Cometemos atos falhos e lapsos e contamos uma história que encobre outra.

Conseguir se desvendar e se reescrever pode ser transformador.

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Como começou a desconfiança da
jovem Kauane de que algo muito errado
se passava na casa da youtuber Majô.



Crescer é fazer um monte das mesmas coisas, várias vezes, só que com cara de diferente. É como um game.
Você cumpre todas as etapas de um nível e aí vai para outro que basicamente contém obstáculos muito parecidos, só que, justamente quando você começa a dominar a situação, a assimilar a coreografia, o nível acaba e começa outro. “Larga a chupeta, você já é muito grande pra isso.” Aí você larga a bagaça com dor no coração e elege outra bengala favorita, mas logo depois... “Larga esse bichinho, você já é...” Ou a campeã: “Para de falar tudo o que você pensa, você já é muito grande pra isso”.

Como meu tio Isidoro fala: “A gente está sempre trocando seis por meia dúzia”. Mas, no final das contas, a
matemática é simples: o corpo começa a mudar, a gente começa a sentir umas paradas estranhas, daí tem que se acostumar com esse novo funcionamento do equipamento, o que pode te desorganizar pra caramba, mas essa
é a vida, garota – trabalha isso. E quando, finalmente, você está plena e lúcida na nova fase da sua existência, começa tudo de novo: o corpo muda, paradas estranhas,
reconhecimento das mudanças, avaliação de danos, outra readaptação e por aí vai. A gente está sempre deixando para trás alguma coisa para tentar ser essa coisa de novo, só que diferente.
O que me leva a concluir que não existe fase fácil e que toda essa minha obsessão em ser adulta, achando que meus problemas vão acabar, pode ser uma puta cilada.
Mas, se o processo é compulsivo, crescer é compulsório. Você vai sendo levada na onda, engole água, se rala na areia querendo ou não. O mais bizarro é o prêmio.

Cri, cri, cri...
Exatamente! Que prêmio? O que eu vou ganhar sendo adulta antes do tempo? Quando eu for adulta, terei outros problemas, os problemas que eu deveria ter nessa idade. Dívidas, por exemplo: meu tio sempre diz que a primeira dívida é o grande rito de passagem para a vida adulta. Não preciso explicar que ele é um endividado.

Tio Isy também afirma que um chefe imbecil é inevitável. O mundo é controlado por obtusos! – ele adora esgoelar essa frase depois de umas caipirinhas. Ah, não posso esquecer que amor é uma grande invenção com prazo de validade. Nenhuma paixão dura mais do que um ano, e
a fidelidade segue esse modelo, segundo ele. Mesmo sem uma boa perspectiva financeira, profissional e amorosa, mesmo com todos esses contras, eu queria ser bem mais
velha. Mesmo sabendo que os problemas vão existir, eu queria muito pular a fase da adolescência, e não – isso não tem nada a ver com o fato dos idiotas da minha classe terem me excluído do grupo de Whats.

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