Artigos & Reflexões

Pensamentos & Criações

Um espaço para compartilhar pensamentos, conversas, insights e fragmentos de uma jornada criativa em constante movimento.

  • Chá revelação de diagnóstico

    TDAH e Autismo com chá revelação e festa tem acontecido e gerado muitos comentários e até críticas, mas é pra criticar ou pensar? Às vezes o sujeito está sofrendo tanto com uma situação, com a doença, que quando chega um diagnóstico correto e com esse diagnóstico, a possibilidade de tratamento, a alegria e o alívio é tão grande que as pessoas sim, têm motivos para celebrar. Mas quando isso é exibido nas redes sociais fora do contexto, sem que se saiba do sofrimento do doente, o conheça, seu dia a dia, seu histórico etc. Apenas receber a imagem da comemoração pode parecer banal, até porque nós vivemos em uma sociedade do espetáculo, onde todas as narrativas, todas as histórias, os acontecimentos parece ter a obrigação de se tornarem públicos, até situações que nunca deveriam sair do âmbito privado.  Esse movimento chá revelação de diagnóstico pode ser sim uma celebração, mas também é um sintoma. O jovem de hoje encontra tantos modelos, são tantas comparações. Ele tem que ser normal, parecido com os demais, ele tem que sociabilizar, produzir. É tudo muito e às vezes ele não individualiza. Expressar a própria subjetividade pode dar medo, insegurança. O jovem tem que tentar ser tanta coisa que pode esquecer de tentar ser quem é. Daí uma nomeação, um rótulo pode ser aquele diferencial que o indivíduo estava procurando e a patologia, a doença, passa para um patamar de uma característica especial. Estendendo para um âmbito maior, podemos pensar que esse sintoma, não é apenas individual, pode ser um sintoma de grande parte da nossa sociedade, afinal a nossa sociedade não consegue parar quieta, não tem foco, procura um rótulo, uma receita de bolo, a grande maioria só lê a manchete, foge do textão, não tem paciência para pensar nela mesma… enfim, eu poderia falar sobre esse assunto da fragmentação da atenção, como um sintoma da nossa sociedade por horas, mas quem aqui tem concentração para escutar?  

  • Porque nossos adultos precisam de uma chupeta para a promoção da paz?

    Infantilização, como se não bastasse a adultização, essa cultura que sexualiza e exige um comportamento e uma performance precoce de crianças e adolescentes. Estamos agora diante da infantilização - adolescentes, jovens e adultos estão recorrendo a itens que remetem à infância, como a chupeta. E esses objetos recebem um nome muito interessante: “pacifier”. Parece pacificador, mas não é, mesmo assim para os nativos da língua portuguesa o termo salta aos olhos. Peacemaker é pacificador em inglês, mas o som de pacifier é muito parecido com pacificador, tão parecido que me remeteu justamente a isso. Algo que traz a paz. Mas porque nossos adultos precisam de uma chupeta para a promoção da paz? Bem, o ser humano tem uma insatisfação perene. Cigarro, bebida, comida, drogas são pacificadores de adultos que nós conhecemos há muito tempo, mas a chupeta se tornou um “pacificador de adulto” na Finlândia, só chegou no Brasil recentemente, mas tem cauda longa, porque outros itens do universo infantil estão sendo agregados a essa lista de pacificadores de adultos. Então por que a chupeta chamou minha atenção? Acho que é o símbolo de um momento da vida em que todos nós passamos, todo mundo foi amamentado de alguma forma e todo mundo, se não chupou a chupeta, chupou o dedo, então o que isso significa? Significa que estamos querendo voltar para o colo da mamãe? Queremos retornar ao útero, ser bebês novamente? Ou estamos tão sobrecarregados, confusos, cansados com esse mundo frenético, que queremos um lugar seguro, calmo e alguém que nos diga que tudo vai dar certo e, que não precisamos sair correndo, nem nos preocupar com nada. Como diria Freud; “Às vezes um charuto é apenas um charuto”; e simplesmente estamos usando chupeta, porque ela controla a ansiedade, evita que você roa unha, coma cabelo ou simplesmente é divertido. Não é preciso ter um motivo para fazer tudo na vida, mas o ponto é que nós somos uma espécie do coletivo e a nossa sociedade, cansada e do espetáculo, é uma sociedade onde o impulso pra cópia está cada vez mais sendo incentivado. Estamos também em um momento, apesar de ultra conectados, que a solidão se alastra. As pessoas podem não assumir ou até ainda não entender o quanto estamos carentes de atenção. Na busca por atenção, eu posso agir como todo mundo, utilizar a mesma rota de fuga, a mesma válvula de escape, porque isso pode me dar a sensação de estar ligado a outra pessoa, mesmo que eu não a conheça. Assim teremos colecionadores de bebê reborn, Labubus, etc. Esses objetos de desejo que começam como apoio emocional e logo se transformam em itens de consumo; são apenas sucesso comercial? Ou uma tentativa tênue de pertencimento? A chupeta, o prendedor da chupeta, o body splash, o copo, os bonequinhos, a meia, tudo isso é transitório. Consumir é o grande pacificador de adultos dos tempos atuais. O produto é sazonal, perene é o esquema: Carência, trabalho e consumo. E hoje em dia, carência leva a trabalho por horas indefinidas e isso leva ao consumo. Uma vida feita para consumir ou fazer outras pessoas consumirem itens que elas não precisam, é algo natural para o ser humano? O uso da chupeta está fazendo muita gente rir, mas de repente é algo sério, é um sintoma de que nós estamos querendo ir para um tempo onde consumir nem passava pela nossa cabeça…

  • Cansados, mas...

    Esses dias estava relendo um livro que eu gosto muito de um filósofo coreano chamado Byung-Chul Han, que fala da sociedade atual que ele chama de sociedade do cansaço. Nós temos que ter um desempenho maravilhoso, uma performance incrível, alcançar todas as metas. Não podem existir lacunas na nossa vida, todo o tempo tem que ser preenchido e preenchido de forma produtiva. Recebemos milhares de imagens todos os dias que nós não damos conta de processar e parece que nós estamos sempre atrasados.  Quem nunca foi a um show e ao invés de simplesmente curtir o momento, acabou gravando o show inteiro ou assistiu com um celular diante dos olhos? De repente inconscientemente, nós guardamos aquele momento para ver em algum outro tempo, com calma, só que esse momento com calma nunca vem, porque nós estamos sempre atrasados e sem tempo devido para desfrutar daquilo que nos é prazeroso. Quando nós somos patrões de nós mesmos, nós podemos ser muito mais severos conosco, e então nós vivemos numa época de fadiga, depressão, burnout.  O texto do Chul Han nos convida a pensar justamente nisso e a pensar em como o ser humano se movimenta em grupo. E as redes sociais nos ofertam muitas oportunidades de mimetismo. Sim, imitamos e imitamos compulsivamente. Às vezes, a compulsão a cópia dentro do meio digital faz com que nós percamos em assuntos que não nos interessam, sem que haja uma percepção. Esse clique que abre trilhas e vai desfolhando outras imagens pode tomar um tempo imenso da nossa vida, porém nós sempre podemos quebrar esse ciclo, sempre podemos parar pensar e refletir se aquilo realmente vale o que nós temos mais precioso. Que é o tempo.  Afinal, falamos tanto em poupar tempo, agilizar, até a folga tem que ser ‘rentável’, que me questiono: esse tempo poupado é para ser empregado no quê? Em seguir os cliques ou aumentar as horas de trabalho? Qual é a qualidade deste tempo? A única certeza é que sim: estaremos sempre cansados. 

  • IA é o grande influenciador dos nossos dias?

    Você seguiria uma máquina? A resposta provavelmente pode ser ambígua, mas o fato é que já fazemos isso há algum tempo, principalmente em aplicativos de navegação. No entanto, existem conduções muito mais amplas. Algumas pessoas, porque não dizer: muitas, estão seguindo à influenciadores artificiais em certas redes sociais. Alguns parecem eloquentes, outros como a Aitana Lopes, parecem jovens, saudáveis e esportistas, mas na verdade são avatares construídos a partir de coletas de dados.   Se antigamente as marcas tinham que sair procurando e contratando influenciadores já estabelecidos e com muitos seguidores para representarem seus produtos, não precisam mais. Agora podem simplesmente ir a uma agência de mídia social e criar o perfeito influenciador para o seu produto. Esse influenciador vai trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, vai ter um comportamento ideal, falar exatamente o que a marca quer, ser politicamente, culturalmente, socialmente, ideologicamente o que desejam, e eles nunca vão dever um único centavo para essa “pessoa”. Além de se um engodo para os desavisados, esse tipo de marketing pode ser uma ferramenta duvidosa. Devemos mesmo utilizar esse recurso? Já estamos em uma linha tênue entra o que é real e o que pode ser virtual. Muitas relações construídas em um espaço digital não se sustentam fora dele, só existem por não terem corpo e habitarem mais da metade do tempo na fantasia dos seus donos. Logo os super influenciadores perfeitos estabelecem um padrão irreal. Aquele jovem ou seguidor que estava pensando em colocar toda a sua energia, seus esforços, para se tornar um influenciador também, pode simplesmente perder esse mercado para a Inteligência Artificial. Isso é algo para se pensar com muita calma, porque nós começamos precarizando vários serviços, em várias áreas, e se deixarmos uma profissão ser precarizada, provavelmente a sua profissão será precarizada também, em algum momento. O que não pode ser precarizado é a condição humana. A inteligência artificial é uma realidade inegável e é extremamente importante. Ela é fundamental no mundo contemporâneo. Leia, não poderemos dispensar a inteligência artificial, mas a criação é o grande barato do ser humano. Então se deixarmos todas as profissões de criação e principalmente o papel do influenciador na mão de uma máquina e começar a fazer o que a máquina dita, ou melhor, o que a pessoa que programa a máquina dita, o que nós nos tornamos? Nós nos tornamos espectadores passivos da vida? Consumidores passivos ansiosos pela próxima dica? Ou compradores compulsivos que mantém um grupo financeiro em determinado status Quo de poder? Já transformamos a IA em oráculo. A inteligência artificial do Chat GPT conseguiu a façanha de passar a perna no google e se tornar a grande fonte de todos. Se é regressão a infância e a fase dos porquê, só cada usuário pode responder por si, o ponto é o quão dependente nos tornaremos.

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    Em um 2020 distópico e sem a vacina, a pandemia da covid-19 mudou o quotidiano de 7 pessoas que se encontram de quarentena no mesmo edifício. Para eles resta apenas criar laços e estender as mãos para os vizinhos - principalmente após um acontecimento misterioso que exige a união de todos. No entanto, mesmo unidos, eles serão defrontados por situações inimagináveis e descobrirão que o mundo não é mais o mesmo.

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    Em um 2020 distópico, a pandemia esvaziou a cidade de São Paulo. No edifício Harmonia, oito moradores seguem resistindo. Cada um está na beira do seu limite e tudo piora quando um crime acontece. Com participação especial de Ângela Vieira e estrelado por Juliana Silveira, Paloma Bernardi, André Mattos, Jairo Mattos, Nestor Chiesse, Lorena Comparato, Isabela Guarnieri e Dudu Pelizzari. #TdVaiFicar é um produção de Hypathya. Volte na próxima quinta para o segundo episódio de #TdVaiFicar.

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Como escritora, Jaqueline Vargas construiu uma obra plural e consistente, que atravessa diferentes gêneros e públicos, transitando com naturalidade entre a literatura infantojuvenil, a ficção adulta e a poesia. Sua escrita literária preserva a mesma escuta sensível presente em sua dramaturgia, aprofundando-se na subjetividade, nos afetos e nas contradições do existir.
É autora de títulos que marcaram gerações, como As Aventuras de Floribela e Valentina: A Herdeira da Magia, além de Sessão de Terapia, obra que dialoga diretamente com o universo da série homônima, expandindo seus temas para o campo literário. Em Aquela que não é mãe, seu primeiro livro de poesias, Jaqueline revela uma escrita íntima e delicada, voltada para o feminino, o desejo, a ausência e os atravessamentos do corpo e da palavra.
Em 2024, lançou A Arte de Cancelar a Si Mesmo: é o conto do rouxinol azul, obra que inaugura uma trilogia infantojuvenil e marca um novo momento em sua produção literária. Neste livro, a autora entrelaça ficção e pesquisa em psicanálise para refletir sobre a construção da subjetividade na era digital, os impactos das redes sociais, o excesso de informação e os limites entre o esquecimento e a necessidade contemporânea de registrar a própria existência.
A literatura de Jaqueline Vargas se estabelece como um espaço de reflexão, imaginação e escuta, onde narrativa e pensamento caminham juntos. Seus livros convidam o leitor a atravessar histórias que não oferecem respostas prontas, mas abrem perguntas — sobre identidade, memória, pertencimento e a forma como nos relacionamos com o mundo.

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