Esses dias estava relendo um livro que eu gosto muito de um filósofo coreano chamado Byung-Chul Han, que fala da sociedade atual que ele chama de sociedade do cansaço. Nós temos que ter um desempenho maravilhoso, uma performance incrível, alcançar todas as metas. Não podem existir lacunas na nossa vida, todo o tempo tem que ser preenchido e preenchido de forma produtiva. Recebemos milhares de imagens todos os dias que nós não damos conta de processar e parece que nós estamos sempre atrasados.
Quem nunca foi a um show e ao invés de simplesmente curtir o momento, acabou gravando o show inteiro ou assistiu com um celular diante dos olhos? De repente inconscientemente, nós guardamos aquele momento para ver em algum outro tempo, com calma, só que esse momento com calma nunca vem, porque nós estamos sempre atrasados e sem tempo devido para desfrutar daquilo que nos é prazeroso. Quando nós somos patrões de nós mesmos, nós podemos ser muito mais severos conosco, e então nós vivemos numa época de fadiga, depressão, burnout.
O texto do Chul Han nos convida a pensar justamente nisso e a pensar em como o ser humano se movimenta em grupo. E as redes sociais nos ofertam muitas oportunidades de mimetismo. Sim, imitamos e imitamos compulsivamente. Às vezes, a compulsão a cópia dentro do meio digital faz com que nós percamos em assuntos que não nos interessam, sem que haja uma percepção. Esse clique que abre trilhas e vai desfolhando outras imagens pode tomar um tempo imenso da nossa vida, porém nós sempre podemos quebrar esse ciclo, sempre podemos parar pensar e refletir se aquilo realmente vale o que nós temos mais precioso. Que é o tempo.
Afinal, falamos tanto em poupar tempo, agilizar, até a folga tem que ser ‘rentável’, que me questiono: esse tempo poupado é para ser empregado no quê? Em seguir os cliques ou aumentar as horas de trabalho? Qual é a qualidade deste tempo? A única certeza é que sim: estaremos sempre cansados.