Porque nossos adultos precisam de uma chupeta para a promoção da paz?

Porque nossos adultos precisam de uma chupeta para a promoção da paz?

Infantilização, como se não bastasse a adultização, essa cultura que sexualiza e exige um comportamento e uma performance precoce de crianças e adolescentes. Estamos agora diante da infantilização - adolescentes, jovens e adultos estão recorrendo a itens que remetem à infância, como a chupeta. E esses objetos recebem um nome muito interessante: “pacifier”. Parece pacificador, mas não é, mesmo assim para os nativos da língua portuguesa o termo salta aos olhos. Peacemaker é pacificador em inglês, mas o som de pacifier é muito parecido com pacificador, tão parecido que me remeteu justamente a isso. Algo que traz a paz. Mas porque nossos adultos precisam de uma chupeta para a promoção da paz? Bem, o ser humano tem uma insatisfação perene.

Cigarro, bebida, comida, drogas são pacificadores de adultos que nós conhecemos há muito tempo, mas a chupeta se tornou um “pacificador de adulto” na Finlândia, só chegou no Brasil recentemente, mas tem cauda longa, porque outros itens do universo infantil estão sendo agregados a essa lista de pacificadores de adultos. Então por que a chupeta chamou minha atenção? Acho que é o símbolo de um momento da vida em que todos nós passamos, todo mundo foi amamentado de alguma forma e todo mundo, se não chupou a chupeta, chupou o dedo, então o que isso significa? Significa que estamos querendo voltar para o colo da mamãe? Queremos retornar ao útero, ser bebês novamente? Ou estamos tão sobrecarregados, confusos, cansados com esse mundo frenético, que queremos um lugar seguro, calmo e alguém que nos diga que tudo vai dar certo e, que não precisamos sair correndo, nem nos preocupar com nada.

Como diria Freud; “Às vezes um charuto é apenas um charuto”; e simplesmente estamos usando chupeta, porque ela controla a ansiedade, evita que você roa unha, coma cabelo ou simplesmente é divertido. Não é preciso ter um motivo para fazer tudo na vida, mas o ponto é que nós somos uma espécie do coletivo e a nossa sociedade, cansada e do espetáculo, é uma sociedade onde o impulso pra cópia está cada vez mais sendo incentivado. Estamos também em um momento, apesar de ultra conectados, que a solidão se alastra. As pessoas podem não assumir ou até ainda não entender o quanto estamos carentes de atenção.

Na busca por atenção, eu posso agir como todo mundo, utilizar a mesma rota de fuga, a mesma válvula de escape, porque isso pode me dar a sensação de estar ligado a outra pessoa, mesmo que eu não a conheça.

Assim teremos colecionadores de bebê reborn, Labubus, etc. Esses objetos de desejo que começam como apoio emocional e logo se transformam em itens de consumo; são apenas sucesso comercial? Ou uma tentativa tênue de pertencimento?

A chupeta, o prendedor da chupeta, o body splash, o copo, os bonequinhos, a meia, tudo isso é transitório. Consumir é o grande pacificador de adultos dos tempos atuais. O produto é sazonal, perene é o esquema: Carência, trabalho e consumo. E hoje em dia, carência leva a trabalho por horas indefinidas e isso leva ao consumo. Uma vida feita para consumir ou fazer outras pessoas consumirem itens que elas não precisam, é algo natural para o ser humano? O uso da chupeta está fazendo muita gente rir, mas de repente é algo sério, é um sintoma de que nós estamos querendo ir para um tempo onde consumir nem passava pela nossa cabeça…