TDAH e Autismo com chá revelação e festa tem acontecido e gerado muitos comentários e até críticas, mas é pra criticar ou pensar? Às vezes o sujeito está sofrendo tanto com uma situação, com a doença, que quando chega um diagnóstico correto e com esse diagnóstico, a possibilidade de tratamento, a alegria e o alívio é tão grande que as pessoas sim, têm motivos para celebrar. Mas quando isso é exibido nas redes sociais fora do contexto, sem que se saiba do sofrimento do doente, o conheça, seu dia a dia, seu histórico etc. Apenas receber a imagem da comemoração pode parecer banal, até porque nós vivemos em uma sociedade do espetáculo, onde todas as narrativas, todas as histórias, os acontecimentos parece ter a obrigação de se tornarem públicos, até situações que nunca deveriam sair do âmbito privado.
Esse movimento chá revelação de diagnóstico pode ser sim uma celebração, mas também é um sintoma. O jovem de hoje encontra tantos modelos, são tantas comparações. Ele tem que ser normal, parecido com os demais, ele tem que sociabilizar, produzir. É tudo muito e às vezes ele não individualiza. Expressar a própria subjetividade pode dar medo, insegurança.
O jovem tem que tentar ser tanta coisa que pode esquecer de tentar ser quem é. Daí uma nomeação, um rótulo pode ser aquele diferencial que o indivíduo estava procurando e a patologia, a doença, passa para um patamar de uma característica especial.
Estendendo para um âmbito maior, podemos pensar que esse sintoma, não é apenas individual, pode ser um sintoma de grande parte da nossa sociedade, afinal a nossa sociedade não consegue parar quieta, não tem foco, procura um rótulo, uma receita de bolo, a grande maioria só lê a manchete, foge do textão, não tem paciência para pensar nela mesma… enfim, eu poderia falar sobre esse assunto da fragmentação da atenção, como um sintoma da nossa sociedade por horas, mas quem aqui tem concentração para escutar?